Trabalho e Felicidade no Exterior

Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

VIDA NA FRANÇA
Viver para trabalhar…

Viver para trabalhar ou trabalhar para viver? Aquela velha questão: fazer o que se ama ou o que dá mais dinheiro? Bom, pra quem não sabe, eu tenho 31 anos, sou geólogo e tenho 8 anos de experiência na área de consultoria ambiental. Hoje não trabalho mais na minha área de formação e sou muito mais feliz! Quer saber se foi fácil?

Sempre me perguntam se me sinto mal por ter “perdido” ou “jogado fora” 5 anos de faculdade para trabalhar com algo diferente. A real é que eu nunca soube o que eu gostava, e sempre trabalhei para ganhar dinheiro e pagar as contas, mas quando a gente chega aos 30 anos, os valores começam a se direcionar.

Como amar seu trabalho
Fonte: Shutterstock.

A história é simples. Não gostava do que fazia, mas não aceitava isso. Então acordava com dificuldade para trabalhar, trabalhava com um rendimento pífio, voltava pra casa e o ciclo recomeçava.

Não adianta, não existe nenhum trabalho no mundo que não tenha algo que não gostamos de fazer. Todos falam pra achar algo que você ame, que nunca mais vai trabalhar. Bobagem, o trabalho que a gente ama, sempre tem alguma chatisse. Mas se a gente gosta, a gente não liga. E segue em frente feliz, porque todo o resto compensa.

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Passei muitos anos trabalhando com algo que eu tentava me convencer de que eu gostava, por motivos simples: Passei 5 anos estudando aquilo, e não foi fácil. Ganhava bem. Mas e daí? Eu não tava feliz. Não gostava daquilo. Cada dia eu me esforçava. E cada dia, eu perdia mais um dia. Passei por três empresas diferentes e, claro, o sentimento ainda era o mesmo.

No início de 2015 acabei perdendo o emprego. O dinheiro ficou curto, o mercado tinha mudado, e eu já não tinha o luxo de trabalhar apenas em geologia, tinha que ser o que fosse, afinal, contas a pagar.

Fui trabalhar como garçom no Outback. No fim, a dinâmica, os colegas, e os ensinamentos de vida que existem naquele lugar me fizeram acender uma luz e começar a trilhar um caminho que eu jamais tinha tentado. Trabalhei 8 meses, mas uma coisa eu percebi, entre vários problemas de todos os tipos, eu sempre estava feliz no final. Voltava pra casa bem. Não entendia aquela sensação de estar feliz indo e voltando do trabalho.

Havia um único problema. O horário. Trabalhava à noite e o círculo social que eu estava inserido, era o velho e maquinado horário comercial, ou seja, enquanto as pessoas dormiam, eu trabalhava e vice-versa. Incluso minha namorada (esposa atualmente) que morava comigo. Resumindo, eu não via ninguém, nem mesmo a pessoa que dormia comigo!

Procurei algo que tivesse um horário diferente. Deixei currículos em todas as lojas de roupas do shopping. Fui então chamado pra Richards, loja de roupas (bem caras), relação direta com o cliente. Mesma história. Ia trabalhar bem e voltava bem. Sempre batia uma falta daquele fim de semana que eu já não tinha há mais de um ano, mas apesar disso, as coisas continuavam bem. Aquela sensação boa novamente.

Comecei a perceber que cada vez menos eu me incomodava com o fato de não trabalhar mais na minha área. Não vou dizer que não ligava, porque ligava sim. Tanto que continuei procurando trabalho como geólogo.

[Momento sem hipocrisia]

No fundo procurava como geólogo porque ganhava mais. No fundo, no fundo, era porque ganhava mais e tinha final de semana. No fundo das profundezas mais profundas, era tudo isso e porque era bem visto na sociedade. Bem. Visto. Na. Sociedade.

Confesso que patético não é uma palavra a altura do que eu pensava antes, mas hoje me sinto bem por ver isso claramente. Eu estava invertendo e misturando todos os valores da minha vida. Eu não gostava da minha área! Eu gostava daquela dinâmica com o ser humano. Contato direto, interação.

Em julho de 2016, consegui um trabalho nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, o que me deu experiência na área de hotelaria, abrindo uma oportunidade dentro de uma nova fase. A internacional.

Ou trabalhar para viver…

Logo em setembro de 2016, tive a possibilidade de vir morar na França. Resolvi arriscar. Sempre tive o desejo de morar fora… Era a hora! Resolvi ir atrás do que eu gosto, e aqui eu já sabia que os valores relacionados à profissão, são completamente diferentes aos do Brasil. Socialmente e economicamente falando. De qualquer forma, o objetivo agora era claro: SER FELIZ!

Procurei emprego em todas as áreas que tinha tido experiência e fui feliz: restaurantes, lojas e hotéis. Acabei conseguindo em hotel. Porém, de madrugada. Era Veilleur de Nuit. Não sei o nome dela em português, mas eu era o cara que entrava as 22h30 e fazia tudo possível até às 6h30 da manhã. Estacionava carro, buscava carro, limpava a sala do café da manhã, fazia os serviços de quarto, cozinhava os pratos dos pedidos da madrugada, montava todo o buffet do café da manhã, assava todos aqueles croissants, e por aí vai. Fiz isso em Toulouse e, depois, em Besançon. Não gostei muito, pois era muito solitário (é só uma pessoa pra fazer tudo isso!). Não tinha muita interação com pessoas e isso também não me ajudava a progredir na língua. Por outro lado, dirigi carros incríveis e comi do bom e do melhor (hotel 5 estrelas).

Bom, continuei procurando, o objetivo ainda não tinha sido atingido. Foi quando vi que havia uma vaga para trabalhar como barista.

Barista é uma palavra que vem do italiano e define a pessoa especialista em café, em preparações e informações sobre o assunto. Eu sempre adorei café, e sempre adorei o assunto. Porque não tentar?

Me candidatei. Passei. Fiz um treinamento (remunerado). Virei barista.

Finalmente…

Meu trabalho hoje juntou todas as coisas que eu mais gostei em todos os anteriores, e que me mostraram o que eu realmente gostava. Interação direta com cliente; venda sugestiva e antecipação de necessidades do cliente com descontração (Outback); venda pura e direta e relação direta com cliente (Richards); e recepção com excelência aos clientes (hotelaria).

Acho que a partir do momento em que comecei a procurar ser feliz, ao invés de dinheiro ou status, vi que a vida poderia ser mais fácil e que ela mesma me mostrava o que eu deveria fazer. Hoje não vivo no luxo, mas vivo feliz e não me falta nada.

Columbus Café - Barista na França | 1001 Dicas de Viagem
Barista na França. Foto: Arquivo pessoal.

Ah, e sobre trabalhar fora da minha área? Nunca “joguei fora” minha faculdade ou experiências anteriores. Pego tudo de positivo que aprendi ao longo de todos esses anos, e faço bom uso disso. Experiência de vida não vai no currículo, mas vai com a gente.

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23 thoughts on “Trabalhar para viver ou viver para trabalhar?

  1. André< achei incrivel sua história, eu estou morando em Paris tbem, estava buscando um geólogo no Brasil, mas um brasileiro geólogo na França é ainda melhor, por favor entre em contato comigo. Erika. deixei meu email abaixo, não sei se vc tem acesso….

  2. Nossa adorei o conteúdo e de primeira qualidade parabéns mesmo. Quero ler mais o contéudo top de vocês muito obrigada

  3. Muito bom seu post. Parabéns! passando por quei novamente pra acessar suas dicas incríveis! Sucesso!!

  4. Ótimo texto, realmente buscar a felicidade! é isso ai!! tenho pensado muito nisso de ir para o exterior, no entanto a necessidade de saber uma língua também é um impecilho, também sou geólogo, já com muitos anos de experiência, mas o cenário atual me deixou sem opção de emprego no Brasil, agora estou pensando em me reinventar, mas ainda trago uma inércia em deixar a geologia, mais por não saber atuar em nada diferente,.. mas seu post foi inspirador. obrigado

  5. Que legal a sua história!
    Me formei em geologia também… Mas não sei ainda se é isso que eu gosto e que eu quero pra minha vida. Neste ano vou para Irlanda e espero que nesse caminho eu descubra o que realmente quero pra seguir na vida de forma leve e feliz! Abraços!

  6. Nossa..me arrepiei com relato e te dou Parabéns..você descreveu que estou sentindo e vou me inspirar em vocês dois.
    O mais lindo é ver que tudo que descreveu é o que grande parte de nós vivemos e que importa na vida ser feliz!!
    Sucesso para vcs…chego em Toulose dia 21 de Agosto e vou com propósito de mudar de vida.
    Grande abraço.
    Largar status e ter status no coração ser feliz.

    1. Muito obrigado, Cassia! Com certeza não irá se arrepender de ir para Toulouse. Uma cidade fantástica! Só não continuamos por lá devido a dificuldade (para nós) de alugar apartamento… Sucesso para você e bem vinda à França! 😀

  7. André, que reflexão esse post!
    Parece que caiu como uma luva pra mim, no momento não ando satisfeita com a faculdade que escolhi, Letras, amo a Língua Portuguesa, a Literatura, os verbos e todas as conjugações, mas não amo lecionar! E com os 30 estou meio perdida e sem saber o que fazer, quero me encontrar, sabe? Vou começar a procurar em minhas profundezas o que me faz feliz, além de viajar é claro! rs.
    Abraços e parabéns pela coragem e determinação!

  8. Uma baita reflexão. EU também larguei minha área para trabalhar com outra coisa, e de inicio assustava o sentimento de ‘jogar fora’ anos e anos de estudo.
    É importante saber qual a hora de pular fora do barco que não ta levando a gente pra felicidade. E remar na canoa na direção do que dá 🙂

  9. Muito bom seu post, André. Adorei a forma que vc abordou o assunto e adorei essa frase final de que experiências de vida não vão no curriculo, mas sim com a gente!
    É como dizem com aquela famosa frase de que dinheiro nem sempre traz felicidade.. e que a felicidade pode estar nas coisas mais simples! Muito legal ver toda sua experiência e como você chegou a finalmente fazer algo que te fez mais feliz!

  10. Adoro ler e além das ideias analiso o modo de as pessoas se espressarem. Adorei o seu ‘no fundo das profundezas mais profundas…’ e a honestidade com o leitor e com você mesmo. Tenho visto muita gente nessa crise dos 30… É tão mais fácil quando as pessoas não se questionam e são felizes com o simples, né? Por outro lado, pessoas mais complexas tendem a viver mais experiências, o que na minha opinião é a razão de nossas vidas. Viva a complexidade, a dúvida, a metamorfose! Abraços e boa sorte nesta fase.

  11. Que experiência e tanto! Eu no momento estou quase do mesmo jeito, aberta a novas oportunidades, já que a minha profissão aqui onde eu moro não tem muito campo! É uma inspiração pra continuar tentando! Abraços

  12. adorei seu texto e história andré! muitas alegrias nessa nova empreitada de barista 😀

    abraço 😉

  13. Arrasou, André! Eu enxerguei que preferia ser feliz a ter “status” ainda antes de terminar a faculdade. Estagiava na minha área em lugares cheios de “importância”, pra ganhar currículo e pra cumprir tabela, mas o que eu gostava mesmo era de viajar, emendava feriados e fazia acordos pra poder viajar pra fora do Brasil ao menos uma vez a cada dois meses. Como era estagiária e não ganhava bem, trabalhava em bares, festas de casamento, formatura e o que mais desse uma grana rápida (e que fosse honesto, é claro).
    Me formei, passei pra uma vaga de emprego numa rede hoteleira em Paris, a empresa deu pra trás nas vésperas do meu embarque. Foi foda, o processo tá rolando na Justiça ainda, mas essa zica toda me fez a pegar freelas pra levantar uma grana e a parada deu tão certo, que parei de procurar emprego formal e hoje vivo por conta do blog e de um ou outro job que valha muito a pena.
    Embora a profissão “blogueira” ainda seja muito marginalizada, não penso em voltar para o mercado formal. O trabalho é penoso, mas me dá liberdade e me faz feliz. Quero mais o quê?

  14. André, adorei esse post. É muito sincero e também tocou dentro de mim, pois também “abandonei” a carreira que escolhi na faculdade e hoje estou nesse momento de transição. A diferença é que eu nunca ganhei muito dinheiro na minha área não (audiovisual), então a coisa de ganhar menos não bate tanto, nunca ganhei mais. Mas é sempre complexo, são muitas dúvidas, caminhos abertos… mas prontas pra ser feliz! Vai dar certo! 🙂

  15. A discussão que você levantou é quas e que uma das bandeiras que carrego por aí e falo a sempre. Quantas pessoas acham que somente um hobby pode ser legal e um trabalho é chato?! Ou porque trabalhamos? Acho ótima a reflexão no tema pra mudar algumas questões que precisamos rever na sociedade. 😉

  16. André, super me identifiquei com você! Este ano, larguei a fisioterapia. Não porque não gostava, eu amava! Mas, depois de 9 anos no mercado vi que não tinha mais pra onde crescer. E entrei em parafuso! Estou desde fevereiro tentando me encontrar…
    Você pode me mandar um e-mail para conversarmos melhor? Obrigada!

  17. Excelente texto diz tudo das pessoas que pensam em viver na Europa por muito tempo, aqui voc~e realmente apreender a viver melhor.

  18. Olá Andre, demais seu post!! Estou bem nessa busco do eu interior, independente de remuneracao e status, mas sim de paz e felicidade!
    Abdiquei da minha formacao de engenheiro hidrico e estou indo trabalhar e estudar no Japao.
    Tive o prazer de estudar com a Niki e com a mais nova membra da equipe, a Julia!
    Nao lembro exatamente se chegamos a nos conhecer, de toda forma, muito prazer e muito inspirador seu post também, um forte abraco!
    Obs: meu teclado esta sem pontuacao, entao nem ligue para ausencia deles, acho que da pra entender..rs
    Toshio Nagata

  19. Fala André! Que fantástica sua história, meu caro!

    Eu assim como você tive que optar por um caminho a seguir desde muito novo. Gastei muito tempo e muita energia em um serviço que escolhi impulsivamente e que digamos que não me satisfez pessoalmente. Lógico que no começo eu estava contente, mas, passou-se o tempo, amadureci e descobri que o que eu estava fazendo já não me era o suficiente (nessa época eu era sargento do Exército)

    Há 4 anos resolvi mudar totalmente meu estilo de vida e hoje atuo em uma Universidade Federal… Mas, novamente, já estou sentindo a necessidade de mudança…

    Acho que no fim somos todos assim, ninguém curte a rotina, todos queremos viver experiências novas, que nos façam sentir vivos. A mudança é benéfica, oxigena a vida, traz novos ânimos.

    Atualmente penso muito em conciliar algum novo trabalho com minhas viagens, o que irá exigir um esforço duplo (já que também sou casado haha)

    De qualquer forma, é sempre bom ler textos assim, me sinto mais confortável em saber que não sou o único com essa necessidade de buscar a felicidade além do dinheiro

    Um abraço!

  20. André: clap, clap, clap!
    Amei sua história! Que inspiração! O Universo se abre para nós quando nós nos abrimos para ele, não é?
    Identifico-me bastante com você, pois sou bióloga, amo o que a Biologia estuda e inspira, mas nunca curti trabalhar na área :/
    E agora estou num momento de reviravolta na minha vida também. Saí ano passado do meu emprego CLT na área farmacêutica, vim morar com meu namorido na Dinamarca, e estou indo pra outro lado: comunicação, escrita, marketing e outras coisas que eu ainda estou descobrindo.
    Cara, PARABÉNS! É isso aí!
    Grande abraço

  21. Que demais seu post.
    Acho que é bem isso. Encontrar o que te faz feliz é a chave de tudo.
    Eu sou fisioterapeuta de formação, e atuo há 16 anos na área, mas desde abril sai do mercado, e confesso que estou muito mais feliz.
    Nem sempre dinheiro traz felicidade.
    Boas escolhas para você!

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