A gafe dos beijinhos na Suíça

Vida no exterior

Quando a gente se muda de país é preciso se acostumar com uma infinidade de coisas novas. Não é apenas o fato de estar longe de casa, da família ou dos amigos. Também não é só a língua ou o clima. Morar em outro país é se habituar aos detalhes de uma outra cultura que tem sempre pontos positivos, negativos ou aquelas mínimas coisas que são apenas diferentes.

Se ao mudar de cidade dentro do Brasil a gente já se pega com duvidas, como: cumprimento com um beijinho, dois ou três? Ao mudar de país então, as coisas complicam ainda mais. Por exemplo, aqui na Suíça essa foi uma das minhas primeiras gafes. Se você não conhece a pessoa não existe isso de beijinho. E não estou nem falando de um ambiente formal de trabalho, porque geralmente nos escritórios do Brasil cumprimento com beijinho também não é usado. Estou falando de amigos de amigos ou um parente não muito próximo. 

Na minha cabeça (de brasiliense) funciona assim: vou ser apresentada a irmã de uma amiga de trabalho? Dois beijinhos. Ao amigo do meu marido ou colega dele do futebol? Dois beijinhos. Em todos esses casos, porém, na Suíça, beijinho é intimidade demais. Ao conhecer o chefe do meu marido então, nem se fala. Aperto de mão estando no Brasil ou na Suíça. Em alguns casos pode até acontecer do “oi” ser apenas com um olhar simpático, de longe, sem aperto de mão nem nada.

Não é exatamente que eles sejam frios. Entre os suíços, amigos ou na família, eles se abraçam e se cumprimentam com beijinhos, bastante parecido com o que fazemos também. Mas são muito mais reservados quando não conhecem muito bem alguém. 

A gafe dos beijinhos na Suíça

Me lembro de duas situações constrangedoras: era Natal e eu estava na Suíça pela primeira vez, em 2014, conhecendo os parentes do meu então namorado, hoje marido. Foi uma baita trapalhada de gente estendendo a mão e eu abrindo os braços para dizer o tradicional “oi, prazer, tudo bem?”

Mesmo ao fim da noite, ao despedir do priminho mais novo, de uns 15 anos, lá fui eu outra vez: abri um abraço enquanto o menino, imobilizado e vermelho como uma pimenta, não sabia como reagir. A família, que assistia a cena, morreu de rir.

A segunda situação foi ainda mais constrangedora, porque eu só soube dias depois que estava errada. Explico: um dia fomos jantar na casa de amigos. Lá uma hora a dona da casa chamou o filho, de uns dois anos (um loirinho fofo de bochechas rosadas), e disse que eles deveria se despedir de todo mundo para ir dormir. Pensei: são meus amigos, essa é uma criança, não tem erro. Lá fui eu e dei um beijinho na bochecha da criança e falei “durma bem”. Ninguém reagiu, tudo normal. Vida que segue. Dias depois meu marido comenta: “ah, sim, Julia. Esqueci de te falar. Na Suíça não beijamos os filhos dos outros. Foi bonitinho, mas ninguém faz isso. Só para você saber, para as próximas vezes”. E lá foi a minha cara no chão.

Mas agora eu aprendi a lição (que é a minha nova estratégia): esperar a movimentação das pessoas com um sorriso – que boba não ter pensado nisso antes. Uma pausa ajuda a entender se é hora de beijinho ou do aperto de mão. 

E se você estiver na Suíça e perceber que o cumprimento vai ser com beijinhos, lembre-se: são sempre três – e não é pra casar, porque eles nem conhecem essa tradição é só padronizado mesmo. 🙂

 

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Julia Borba

Julia Borba é repórter de formação e já trabalhou em grandes redações como a Folha de São Paulo e a Rede Globo. Apaixonada pelo Brasil e pelo mundo, é uma das adeptas da teoria de que a vida é curta demais para ficar em apenas um lugar. Além do Brasil, já morou nos Estados Unidos e na Suíça, onde atualmente cursa mestrado em Comunicação Empresarial. Para ela viajar é sinônimo de felicidade – seja por destinos rústicos e com muita na natureza ou encontrando os lugares super charmosos espalhados pelas grandes cidades. Adora contar historias e compartilhar dicas e experiências com todos os apaixonados por viagens.

6 comentários em “A gafe dos beijinhos na Suíça

  • 11 de novembro de 2017 em 16:11
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    hahahaha adorei!! Brasileiro é caloroso demais mesmo!! Mas até hoje acho dificil me acostumar de só ter que dar a mão. Enfim!! Adorei o Post.

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    • 14 de novembro de 2017 em 13:53
      Permalink

      Ainda estou aqui na luta… hahaha!! Tenho sempre que me segurar… 🙂 Obrigada, Re!!

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  • 24 de setembro de 2017 em 05:42
    Permalink

    Brasileiro nao tem jeito. Sai distribuindo beijos, abraços mundo afora! Kkkk

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    • 14 de novembro de 2017 em 13:54
      Permalink

      Parece tão sem educação dar um aperto de mão, né? Hahaha…

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  • 24 de setembro de 2017 em 03:10
    Permalink

    Julia, minha cabeça de brasiliense é diferente da sua! Hahaha! Pra mim, é um beijinho e abraço pra tudo, não existe isso de 2 beijinhos! Ao contrário do que acontece no Rio, quando mudei pra lá, quase beijei todo mundo na boca porque a pessoa ía dar 2 e eu só 1. Quando finalmente me adaptei lá, me desadaptei aqui em Brasília. Difícil!

    Agora, tô imaginando aqui o dia em que vc conheceu a família do seu marido, que por si só já é uma situação um pouco delicada, né? E fica (bem) mais difícil com todas essas diferenças culturais…

    Tô lembrando aqui eu no seu casamento eu beijei e abracei toooooodo mundo! Oh, god! Nem tinha me passado pela cabeça que eles poderiam isso no mínimo estranho! Hahaha! Agora já era!

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    • 14 de novembro de 2017 em 14:04
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      Hahahahaha!! Mhel, acho que lá no casamento tinha licença poética. E, em todo caso, no Brasil as regras são nossas :p Fiquei pensando no ‘um beijinho e um abraço’… Verdade! Eu faço isso também!! Ta ficando mais complicado, amiga… hahaha…

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