Jantar no Escuro: experiência gastronômica e sensorial | 1001 Dicas de Viagem

Jantar no Escuro: experiência gastronômica e sensorial

O tal Jantar no Escuro

Algum tempo atrás, sem querer, acabei caindo em um blog de gastronomia que contava sobre o tal “Jantar no Escuro” e fiquei curiosíssima. Na última segunda-feira tive a oportunidade de conhecer este evento e, claro, não podia deixar de vir contar para vocês como foi esta experiência.

Ateliê no Escuro

Desde 2008 as psicólogas Elis Feldman e Maria Lyra estão vendando os olhos daqueles interessados em novas experiências. O Ateliê no Escuro surgiu após uma viagem à França onde as amigas vivenciaram uma experiência diferente com o projeto “Diálogo no Escuro” – onde o jantar é servido por garçons com deficiência visual, em um ambiente escuro e vedado.

As criadoras do evento acreditam que, atualmente, com a superestimulação da visão, os outros sentidos são pouco explorados, especialmente na hora da refeição. Dar espaço para eles, por meio da supressão da visão é uma forma de enriquecer a experiência gastronômica e nos trazer novos prazeres.

Jantar no Escuro: Tema Samba

Cada jantar oferecido tem um tema e ocorre em um local diferente. Desta vez o tema escolhido foi “Samba”, e quem nos deu o prazer de preparar o menu e nos receber foi o Obá Restaurante, que fica localizado na Rua Melo Alves, 205, Cerqueira César, São Paulo/SP, e é especializado em cozinhas mexicana, tailandesa, italiana e brasileira.

Cheguei um pouco antes do horário marcado e pude encontrar com os outros convidados no andar superior do Obá Restaurante (aproximadamente 15 pessoas). Lá fomos recebidos com um caldinho de feijão preto delicioso, torresminho “vamos embora, João!”, e uma cachaça Babuxa, geladinha com mel de limão.

Jantar no Escuro - Ateliê no Escuro
Recepção: caldinho de Feijão, Torresminho e cachaça babucha.

O sentimento geral era um misto de ansiedade, curiosidade, e pé atrás rs! Assim que todos os convidados chegaram, ocorreu uma breve apresentação com as meninas do Ateliê no Escuro e os sócios da casa (Obá Restaurante). Fomos então instruídos a desligar o celular e nos permitir comer com as mãos e em silêncio, e prestando atenção aos detalhes, na textura dos alimentos, nos odores.

Em seguida, descemos as escadas e fomos vendados e encaminhados ao salão principal do restaurante. Fui guiada até o meu lugar, e depois colocaram minha mão no guardanapo, apenas para me localizar. Minha primeira reação foi tatear tudo ao meu redor: guardanapo, copo com água, espaço onde seriam servidos os pratos, etc.

Depois que todos já estavam sentados (mas ainda super ansiosos), foi tocado um sino e declamado um verso. Na sequência os músicos, que estavam ao meu lado, começaram a tocar canções de samba, escolhidas a dedo para combinar com o evento e o menu.

Todos se sentam sem ter a menor idéia de como é o ambiente ou em que tipo de mesa estão. O samba começa a rolar e os pratos vão sendo servidos. Localizei tudo ao meu redor, mas muitas vezes não conseguia sequer perceber que alguém havia se aproximado para servir meu prato. Uma vez ou outra consegui notar antes que sussurassem em meu ouvido: “você já está servida”.

Entrada e Primeiro Prato: De repente surge uma cumbuquinha com algo muito quente na minha frente. Ainda bem desajeitada para comer com as mãos comecei a prestar atenção na textura, aroma, sabor… E sempre na tentativa de desvendar os ingredientes do Chef. Era casquinho de siri do recife, refogadinho, temperadinho e molhadinho com leite de coco.  Na sequência um outro prato com filé de pescada amarela grelhado, vatapá cremoso do obá e banana da terra frita – Gente, eu me deliciei com esta banana e não cheguei nem perto de acertar o que era. Parecia que nunca tinha comigo antes. Rs! Para acompanhar, ainda fui surpreendida com um outro copo, colocado próximo a minha água: punch de carnaval batida de cachaça, lima, mexerica e limão cravo.. Um pouco mais leve com truques da casa!

Obá Restaurante - Jantar no Escuro: Samba
Entrada: Casquinho de Siri do Recife. Foto: NiKi Verdot.
Obá Restaurante - Jantar no Escuro - Tema Samba
Entrada: Filé de pescada amarela grelhado, vatapá e banana da terra frita. Foto: NiKi Verdot.

Entre um prato e outro são realizadas algumas intervenções, preparadas pelo Ateliê no Escuro, como citações, batuques, massagens na coluna e no cabelo (até parei de comer para aproveitar!), além de aromas diferentes que são borrifados.

Prato Principal: Para fugir do óbvio, Hugo Antares escolheu como prato principal uma “feijoada” baiana, conhecida como roupa velha, bem apimentadinha e temperada estilo moqueca: carne seca desfiada, calabresa e bacon no feijão; acompanhada de arroz e farofa de banana. A bebida que acompanhava este prato era cerveja original estupidamente gelada. Por incrível que pareça, eu achei maravilhosa, mas só no final do copo é que fui perceber que era cerveja… E olha que teve gente que nem chegou a descobrir! Rs!

Prato principal: “feijoada” baiana (roupa velha), acompanhada de arroz e farofa de banana. Foto: Niki Verdot.
Prato principal: “feijoada” baiana (roupa velha), acompanhada de arroz e farofa de banana. Foto: Niki Verdot.

Sobremesa: Nunca pensei que ficaria triste com a hora da sobremesa. Já estava confortável comendo com as mãos, no escuro, na expectativa de uma nova intervenção e na ansiedade de um novo prato delicioso. Mais uma vez o sussuro em meus ouvidos: “Você já está servida”. Fui tateando o prato e me deparei com uma bolinha gelada. Inicialmente pensei: “Ahááá.. Bolinha de queijo.. Só que fria! Aff!”. Dei uma bela mordida na bolinha e fui novamente surpreendida. (1) Porque não se tratava de bolinha de queijo e sim de uma bolinha doce, uma espécie de brigadeiro MA-RA-VI-LHO-SO! (2) Porque me dei conta que já estávamos na sobremesa e, portanto, o jantar já estaria chegando ao fim.

A tal bolinha era uma receita da casa: um mousse de chocolate com toque de cachaça e castanha do pará, acompanhada de calda de maracujá. Gente do ceú, experimentem! Junto com ela também havia uma colher com canjica de milho com leite condensado, coco ralado, canela e cravo. Como a esperta aqui ficou impressionada com a “bolinha”, foi logo comendo sem ver se tinham outras ou o que tinha no prato. Resultado: só tinha uma bolinha e por isso fiquei tentando comer a calda de maracujá sozinha. Tudo bem que na minha cabeça (e de outras pessoas) tratava-se de uma goiabada. Vai entender rs.. Para finalizar, um cafézinho da casa adoçado com rapadura.

Sobremesa: mousse de chocolate com toque de cachaça e castanha do pará, acompanhada de calda de maracujá, e canjica de milho com leite condensado, coco ralado, canela e cravo. Foto: NiKi Verdot.
Sobremesa: mousse de chocolate com toque de cachaça e castanha do pará, acompanhada de calda de maracujá, e canjica de milho com leite condensado, coco ralado, canela e cravo. Foto: NiKi Verdot.

A experiência finalizou-se com todos dançando em pé e ainda vendados. Depois de um pouco de diversão fomos autorizados a tirar a venda dos olhos. Os primeiros olhares são de adaptação e surpresa.

Fomos então para uma mesa grande, no fundo da sala, onde as organizadoras reunem os participates para compartilharem suas experiências, impressões, etc. Estavam todos super animados e loucos para confirmar suas adivinhações dos pratos. Aí foi a vez de Hugo Antares contar os detalhes e inspirações de cada um dos pratos. Mesmo tendo me focado em sentir, experimentar, tatear cada um dos alimentos, eu cheguei a conclusão que eu sou péssima nisso. Acertei os óbvios como farofa, arroz, peixe, mas passei longe na cerveja (fala sério!), na banana da terra e na calda de maracujá, por exemplo. Ok, não me julgem! É fácil fracassar nos palpites, principalmente na primeira experiência. Rs!

Obá Restaurante
Jantar no Escuro no Obá Restaurante. Foto: Ateliê no Escuro.
Jantar no Escuro - Tema Samba - Obá Restaurante
Jantar no Escuro no Obá Restaurante. Foto: Ateliê no Escuro.

Diferentes estímulos como a música, o toque (através das massagens), as palavras, os cheiros, os sabores, são apresentados fazendo com que o “Jantar no Escuro” seja uma experiência que te permite aguçar o paladar e outros sentidos muitas vezes esquecidos durante as refeições: olfato, audição e tato.

 

NOSSA AVALIAÇÃO:

Acesso: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Estrutura: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Atendimento: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Qualidade/Menu: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

Preços: 💰💰

Moral da história: uma das experiências gastronômicas e sensoriais mais incríveis que já tive.

Clique aqui para conferir a agenda do Ateliê no Escuro e se inscrever no próximo “Jantar no Escuro”.

 

Legenda das Avaliações e Review de Restaurante _ 1001 Dicas de Viagem

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Este post é fruto de uma parceria comercial entre o 1001 Dicas de Viagem e a empresa citada. Cabe destacar que aceitamos parcerias comerciais apenas de empresas que conhecemos e/ou testamos os serviços, e publicamos somente informações que julgamos relevantes para nossos leitores e/ou que possam auxiliar no planejamento de suas viagens.

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NiKi Verdot

NiKi Verdot, além de ser uma apaixonada pela vida, considera-se uma viciada em viagens. Mal acaba de chegar de uma e já está pensando nas próximas (no plural, é claro!). Tem o passaporte carimbado em 16 países (tendo passado por mais de 140 cidades) e adora compartilhar suas fotos, dicas e experiências, com o objetivo de ajudar a todos que, assim como ela, são viciados em viagens.

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